Eloi de Souza Garcia

Eloi de Souza Garcia

Eloi de Souza Garcia

Caros Leitores, Esse blog foi criado para dar divulgação aos textos do Dr. Eloi Garcia, do Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos, do Instituto Oswaldo Cruz. O Dr. Garcia é responsável por uma contribuição ímpar no campo da Fisiologia, Endocrinologia e Imunologia de Insetos e, além disso, por mais de 20 anos ele vem publicando artigos de divulgação científica nos principais jornais do Brasil. O objetivo desse site é recuperar inicialmente alguns desses textos de divulgação. Boa leitura!


Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos - IOC/FIOCRUZ

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pensando em Ciência


Para que uma idéia científica se transforme em um resultado no laboratório pode demorar certo tempo.  O mesmo ocorre para que uma realidade seja transformadora possa induzir inovação e desenvolvimento econômico e social.

Este fato está relacionado com o aparecimento demorado de um pesquisador, cerca de 10 ou mais anos, em um sistema contínuo de formação de recursos humanos.

Para uma idéia ser transformada em resultados e aplicações científicos em laboratórios ativos pode demorar vários anos. Não é trivial ampliar os limites da ciência.

A infraestrutura necessária também é sofisticada e envolvem as condições do laboratório, financiamento da pesquisa, biblioteca, estudantes em todos os níveis e uma vontade enorme de realização.

Outra etapa do processo se relaciona a publicação do resultado em revista científica exigente e sua aceitação pela comunidade científica internacional.

A idéia inovadora requer uma boa formação e esforço pessoal do pesquisador.  Em uma estimativa simples isto pode chegar a 5 ou mais anos de trabalho exaustivo no laboratório.

A manutenção financeira de um laboratório de pesquisa é complicada e necessita ser contínua e constante. Por isto a gestão das agências financiadoras de ciência e tecnologia deve ter estruturas independentes das variações políticas de governos e ministérios, e desenvolver políticas com uma visão de futuro e continuidade.

Os laboratórios devem ser “fiscalizados”, mas não é justo que bons cientistas, formados com sacrifico e enorme investimento do governo, fiquem sem recursos financeiros para desenvolver suas idéias e formar novos pesquisadores necessários ao país.

As agências financiadoras como a Capes e o CNPq bem como as Agências Estaduais têm investido neste caminho. O número de doutores formados em nosso país tem aumentado significativamente. Mas um país em desenvolvimento como o nosso necessita de mais massa crítica na área científica.

O sistema governamental de ciência, tecnologia e inovação devem ter como objetivo a gestão de um sistema científico estratégico mantido inalterável por vários anos, onde seus cientistas possam desenvolver com tranquilidade suas idéias e formação de recursos humanos.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesquisa básica e inovação


Recentemente, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestou, com razão, sua preocupação com o financiamento federal para o desenvolvimento da pesquisa em nosso país. Não temos que convencer ninguém, e menos os cientistas, que uma das finalidades da atividade científica é dar uma melhor condição de vida à população e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento no planeta.

Não resta dúvida de que a atividade científica no Brasil cresceu nos últimos anos de maneira significativa, mas o nosso sistema de ciência e tecnologia ainda continua frágil, fragmentário. Com os cortes orçamentários na área, não sabemos aonde poderemos chegar e qual a fatura que teremos que pagar no futuro. A própria SBPC mostrou preocupação com o que hoje está virando moda: pesquisa inovativa, que visa, com ênfase excessiva, a transformação de dados obtidos no laboratório para aplicação quase que imediata. Esta visão pode ser prejudicial ao desenvolvimento da ciência de bancada em nosso país.

Vários resultados obtidos nos laboratórios ainda não são explicados com clareza, e é difícil a possibilidade de suas aplicações. Muitas vezes, os dados obtidos em um experimento demoram muitos anos a serem explicados com evidências científicas sólidas. Antes que se possam encontrar explicações racionais para os resultados, devem-se realizar mais pesquisa básica sobre o fenômeno biológico. Ou seja, deve-se investir sempre em pesquisa básica.

Fomentar o conhecimento básico é aprender mais sobre os fenômenos científicos. É importante assumir que o fundamental é o conhecimento, e que daí deriva a aplicação da ciência na saúde, na indústria, na economia. É também importante entender que a pesquisa básica é o condutor dos processos de inovação tecnológica. Basta recordar que o raio laser foi descoberto em 1920 e somente 40 anos depois se encontraram suas primeiras aplicações industriais e médicas; 55 anos depois foi possível utilizá-lo para a leitura do código de barras (primeira aplicação comercial); e quase 80 anos depois foi utilizado na oftalmologia. É necessário assumir que o conhecimento científico é importante para a futura utilização pela sociedade.

O Brasil está cada vez mais entrando no ranking dos países que têm produção científica relevante no mundo. Em pouco mais de oito anos, incrementamos o número de trabalhos publicados em revistas científicas de impacto para a comunidade científica internacional.  Hoje estamos chegando ao décimo segundo lugar entre os países que mais publicam artigos científicos.

Para aumentar o número de patentes – ainda muito pequeno em nosso país -- e desenvolver a inovação tecnológica, é necessário estimular a ciência básica, e que cada setor público, federal, estadual e municipal, faça seu trabalho aumentando os recursos orçamentários, estimulando a investigação fundamental, apoiando a formação de recursos humanos em todos os níveis e acreditando que sem isto não há inovação.

Originalmente publicado na editoria de Opinião do Jornal do Brasil Online em 23/03/2011

link para a matéria original

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Inovação: a palavra do presente


Não são surpresas nem novidades que quase todos os países da América Latina não fazem parte dos primeiros da lista em inovação, ou seja, a habilidade de inventar novos produtos ou processos, pois estamos ficando para trás na qualidade da educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento tecnológico.

Em uma economia baseada principalmente em processos e produtos inovativos, onde as empresas utilizam a cultura do conhecimento para desenvolver novas tecnologias, a inovação é um fator de importância para o mercado brasileiro.

Infelizmente, o nosso país não se encontra em boa posição quando se faz o “ranking” global de inovação, onde entre os países com maior liderança se encontram a Suíça, Suécia, Singapura, Inglaterra, Holanda, Estados Unidos, Coréia do Sul e alguns outros países. Para se ter uma idéia, enquanto a Coréia do Sul registrou mais de 13 mil patentes nos Estado Unidos em 2011, o Brasil registrou um pouco mais de 200 e a Argentina cerca de 50 patentes.

Esta classificação é baseada no número de novas patentes realizadas por país mas também nos investimentos na ciência, tecnologia e desenvolvimento. Estes países estão avançando de maneira rápida, principalmente os países Asiáticos.

Na América Latina o país que possui destaque na área de inovação é o Chile seguido de longe pelo Brasil, Costa Rica, Colômbia, Uruguai, Argentina e outros países. Nesta classificação anual do “ranking” global de inovação, o Brasil caiu nove lugares se comparado com a classificação do ano passado.

Em um quadro global que se classifica os países entre os mais importantes para a inovação, o que estão aprendendo a inovar, ou aqueles que inovam pouco, o Brasil ainda se enquadra no último grupo, enquanto China, Índia e alguns outros poucos países estão “aprendendo” a fazer inovação.

Apesar do Brasil se destacar entre as 12 maiores economias do mundo, o baixo teor de inovação normalmente se deve ao ambiente político, regulatório e empresarial, bem como a qualidade da educação, principalmente em ciência e tecnologia. Estamos começando a reconhecer a importância da inovação em todas as áreas para enfrentar o mundo comercial.

O Brasil, apesar da crise econômica mundial, vem reconhecendo e aumentando os recursos nestas áreas e isto é fundamental para o desenvolvimento tecnológico moderno. Nos próximos anos teremos maior destaque nos processos inovativos nas indústrias de todas as áreas.

(texto inédito publicado em 25 de Abril de 2013)

Ciência e desenvolvimento: passo para o futuro

A crise econômica mundial emite sinais negativos a população levando-a a desesperança, descrédito e ao receio do futuro. Mas temos que ser otimistas e acreditar nos dias que virão. Devemos pensar que graças ao vigor científico e tecnológico de nosso país, podemos pensar e resolver as dificuldades juntos e acreditar que o processo de desenvolvimento está de acordo com a política nacional e se relacionando com a mundial.

O Brasil está se tornando uma referência de política, cultura e criatividade com o estabelecimento de uma democracia moderna e desenvolvimento de um modelo social que coloca a dignidade humana como ponto de referência. Além disto, temos um processo ativo de integração com a América Latina que é inquestionável e garante paz e prosperidade para a região.

Não podemos confundir que o crescimento econômico que estamos vivendo seja negativo para o bem estar da população mundial e elemento positivo para o crescimento. O nosso país está avançando, às vezes até pressionado pela crise, com realismo e decisões, e buscando com tranquilidade as soluções dos problemas. As mudanças têm que vir com o enfrentamento das necessidades para enfrentar as crises e nosso país tem importância crucial para o mundo.

Temos que aumentar, cada vez mais, nossa capacidade de educar, fazer ciência e inovar nas empresas e institutos. Devemos permanentemente estar apoiando a ciência, tecnologia e desenvolvimento, pois são de importância estratégica para o desenvolvimento do País.

A qualidade da educação, pesquisa e inovação constitui o principal fator para o crescimento a curto e médio prazo. O conhecimento e as novas ideias e hipóteses são importantes para o nosso futuro. Manter estas vantagens é dever dos pesquisadores, professores e instituições, pois elas concretizam a economia real de nosso crescimento econômico e industrial.

Não podemos diminuir os orçamentos e gastos nestas áreas, pois são investimentos básicos para continuar o desenvolvimento científico e tecnológico. Devemos aumentar a cooperação entre Universidades, Institutos de Pesquisas e Indústrias, garantir uma comunicação mais eficiente entre os cientistas e favorecer de forma mais efetiva o acesso a dados e outras estruturas de pesquisa existentes.

Atingir o inalcançável é o que queremos. O futuro é o nosso objetivo e prioridade.

Publicado no Jornal da Ciência em 28 de Setembro de 2012

Apresentação

Caros Leitores, Esse blog foi criado para dar divulgação aos textos do Dr. Eloi Garcia, do Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos, do Instituto Oswaldo Cruz. O Dr. Garcia é responsável por uma contribuição ímpar no campo da Fisiologia, Endocrinologia e Imunologia de Insetos e, além disso, por mais de 20 anos ele vem publicando artigos de divulgação científica nos principais jornais do Brasil. O objetivo desse site é recuperar inicialmente alguns desses textos de divulgação. Boa leitura!

Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos - IOC/FIOCRUZ