Não sei bem porque
desde a época da Universidade tenho uma paixão especial para o cromossomo 5. A
razão disto até hoje ainda não está clara. Talvez porque já sabia que ele teria
genes muitos interessantes.
O genoma humano –
seqüência completa dos genes humanos – está contido em 23 pares separados de
cromossomos. Destes, 22 pares são enumerados pelo tamanho aproximado, ou seja,
do maior (número 1) ao menor (número 22).
O par restante corresponde aos
cromossomos sexuais: dois grandes cromossomos X na mulher, um extenso cromossomo
X e um pequeno cromossomo Y no homem. Em tamanho o cromossomo X encontra-se
entre o 7 e o 8, enquanto o Y é o menor de todos os cromossomos.
Existem
cientistas que acreditam que, nos próximos 10 milhões de anos, a espécie humana
poderá perder os 45 genes do cromossomo Y, incluindo o gene SRY responsável pela
produção de hormônios.
Este cromossomo surgiu a 300 milhões de anos
possuindo 1.438 genes. Assim, neste período já perdeu 1.393 genes.
Aparentemente um outro cromossomo terá a tarefa de desenvolver um gene
para determinação do sexo. Os pesquisadores acreditam que se o cromossomo Y for
extinto, isto poderia criar dois ou mais sistemas de determinação sexual
resultando em duas espécies humanas diferentes.
O número de cromossomos
em uma espécie animal não é importante. Várias espécies, incluindo os primatas
têm mais cromossomos, e outras menos, que o ser humano. Mesmo as distribuições
dos genes de função semelhante podem ser diferentes de acordo com a espécie
considerada.
Não sei bem porque desde a época da Universidade tenho uma
paixão especial para o cromossomo 5. A razão disto até hoje ainda não está
clara. Talvez porque já sabia que ele teria genes muitos interessantes.
Após a publicação do seqüenciamento do genoma humano, os genes de 12
cromossomos foram identificados. Destes, o cromossomo 5 teve sua seqüência
completada de maneira acurada e torna-se uma poderosa ferramenta para os
pesquisadores tentarem compreender as doenças no ser humano.
O cromossomo
5, o maior dos cromossomos já seqüenciados, é composto de 180,9 milhões de bases
(As, Ts, Gs, e Cs), 923 genes, incluindo 66 genes que estão envolvidos em
doenças humanas.
Cerca de 14 doenças estão relacionadas com 5 genes
contidos no cromossomo 5. Outros genes incluem os que codificam interleucinas,
moléculas envolvidas na sinalização do sistema imune e implicadas com a
asma.
Além destes genes, o cromossomo 5 possui vastos espaços de
seqüência não codificante. Estudos comparativos mostraram que estas regiões são
conservadas entre várias espécies de mamíferos e peixes e têm papel importante
na regulação gênica.
Até pouco tempo estas regiões eram conhecidas com
DNA-lixo. No entanto, hoje se sabe que estes longos espaços conservados no DNA
indicam regiões importantes, em termos genéticos, que estão envolvidas na
regulação de genes.
A seqüência do cromossomo 5 mostra também como os
seres humanos, após divergirem dos chimpanzés, possuem 99% de similaridade nos
cromossomos, e grande semelhança nos genes que causam doenças quando sofrem
alguma mutação.
Por outro lado, aproximadamente 1/3 do cromossomo 5
humano é semelhante ao cromossomo que determina o sexo das aves. Este por sua
vez, é muito parecido com os cromossomos X e Y do ser humano.
Apesar
disto parece que estes seres, após 300 milhões de anos da separação de um
ancestral comum, desenvolveram métodos fisiológicos bastante diferentes para
animais machos e fêmeas. Ainda bem, não é?
(Publicado no Jornal da Ciência, em 10 de Dezembro de 2004)
Ciência, Arte e Realidade
Eloi de Souza Garcia
Eloi de Souza Garcia
Eloi de Souza Garcia
Caros Leitores, Esse blog foi criado para dar divulgação aos textos do Dr. Eloi Garcia, do Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos, do Instituto Oswaldo Cruz. O Dr. Garcia é responsável por uma contribuição ímpar no campo da Fisiologia, Endocrinologia e Imunologia de Insetos e, além disso, por mais de 20 anos ele vem publicando artigos de divulgação científica nos principais jornais do Brasil. O objetivo desse site é recuperar inicialmente alguns desses textos de divulgação. Boa leitura!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Pensando em Ciência
Para que uma idéia científica se transforme
em um resultado no laboratório pode demorar certo tempo. O mesmo ocorre para que uma realidade seja
transformadora possa induzir inovação e desenvolvimento econômico e social.
Este fato está relacionado com o
aparecimento demorado de um pesquisador, cerca de 10 ou mais anos, em um
sistema contínuo de formação de recursos humanos.
Para uma idéia ser transformada em
resultados e aplicações científicos em laboratórios ativos pode demorar vários
anos. Não é trivial ampliar os limites da ciência.
A infraestrutura necessária também é
sofisticada e envolvem as condições do laboratório, financiamento da pesquisa,
biblioteca, estudantes em todos os níveis e uma vontade enorme de realização.
Outra etapa do processo se relaciona a
publicação do resultado em revista científica exigente e sua aceitação pela
comunidade científica internacional.
A idéia inovadora requer uma boa formação e
esforço pessoal do pesquisador. Em uma
estimativa simples isto pode chegar a 5 ou mais anos de trabalho exaustivo no
laboratório.
A manutenção financeira de um laboratório de
pesquisa é complicada e necessita ser contínua e constante. Por isto a gestão
das agências financiadoras de ciência e tecnologia deve ter estruturas
independentes das variações políticas de governos e ministérios, e desenvolver
políticas com uma visão de futuro e continuidade.
Os laboratórios devem ser “fiscalizados”,
mas não é justo que bons cientistas, formados com sacrifico e enorme
investimento do governo, fiquem sem recursos financeiros para desenvolver suas idéias
e formar novos pesquisadores necessários ao país.
As agências financiadoras como a Capes e o
CNPq bem como as Agências Estaduais têm investido neste caminho. O número de
doutores formados em nosso país tem aumentado significativamente. Mas um país
em desenvolvimento como o nosso necessita de mais massa crítica na área
científica.
O sistema governamental de ciência,
tecnologia e inovação devem ter como objetivo a gestão de um sistema científico
estratégico mantido inalterável por vários anos, onde seus cientistas possam
desenvolver com tranquilidade suas idéias e formação de recursos humanos.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Pesquisa básica e inovação
Recentemente, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestou, com razão, sua preocupação com o financiamento federal para o desenvolvimento da pesquisa em nosso país. Não temos que convencer ninguém, e menos os cientistas, que uma das finalidades da atividade científica é dar uma melhor condição de vida à população e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento no planeta.
Não resta dúvida de que a atividade científica no Brasil cresceu nos últimos anos de maneira significativa, mas o nosso sistema de ciência e tecnologia ainda continua frágil, fragmentário. Com os cortes orçamentários na área, não sabemos aonde poderemos chegar e qual a fatura que teremos que pagar no futuro. A própria SBPC mostrou preocupação com o que hoje está virando moda: pesquisa inovativa, que visa, com ênfase excessiva, a transformação de dados obtidos no laboratório para aplicação quase que imediata. Esta visão pode ser prejudicial ao desenvolvimento da ciência de bancada em nosso país.
Vários resultados obtidos nos laboratórios ainda não são explicados com clareza, e é difícil a possibilidade de suas aplicações. Muitas vezes, os dados obtidos em um experimento demoram muitos anos a serem explicados com evidências científicas sólidas. Antes que se possam encontrar explicações racionais para os resultados, devem-se realizar mais pesquisa básica sobre o fenômeno biológico. Ou seja, deve-se investir sempre em pesquisa básica.
Fomentar o conhecimento básico é aprender mais sobre os fenômenos científicos. É importante assumir que o fundamental é o conhecimento, e que daí deriva a aplicação da ciência na saúde, na indústria, na economia. É também importante entender que a pesquisa básica é o condutor dos processos de inovação tecnológica. Basta recordar que o raio laser foi descoberto em 1920 e somente 40 anos depois se encontraram suas primeiras aplicações industriais e médicas; 55 anos depois foi possível utilizá-lo para a leitura do código de barras (primeira aplicação comercial); e quase 80 anos depois foi utilizado na oftalmologia. É necessário assumir que o conhecimento científico é importante para a futura utilização pela sociedade.
O Brasil está cada vez mais entrando no ranking dos países que têm produção científica relevante no mundo. Em pouco mais de oito anos, incrementamos o número de trabalhos publicados em revistas científicas de impacto para a comunidade científica internacional. Hoje estamos chegando ao décimo segundo lugar entre os países que mais publicam artigos científicos.
Para aumentar o número de patentes – ainda muito pequeno em nosso país -- e desenvolver a inovação tecnológica, é necessário estimular a ciência básica, e que cada setor público, federal, estadual e municipal, faça seu trabalho aumentando os recursos orçamentários, estimulando a investigação fundamental, apoiando a formação de recursos humanos em todos os níveis e acreditando que sem isto não há inovação.
Originalmente publicado na editoria de Opinião do Jornal do Brasil Online em 23/03/2011
link para a matéria original
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Inovação: a palavra do presente
Não são surpresas nem novidades que
quase todos os países da América Latina não fazem parte dos primeiros da lista
em inovação, ou seja, a habilidade de inventar novos produtos ou processos,
pois estamos ficando para trás na qualidade da educação, ciência, tecnologia e
desenvolvimento tecnológico.
Em uma economia baseada principalmente
em processos e produtos inovativos, onde as empresas utilizam a cultura do
conhecimento para desenvolver novas tecnologias, a inovação é um fator de importância
para o mercado brasileiro.
Infelizmente, o nosso país não se
encontra em boa posição quando se faz o “ranking” global de inovação, onde
entre os países com maior liderança se encontram a Suíça, Suécia, Singapura,
Inglaterra, Holanda, Estados Unidos, Coréia do Sul e alguns outros países. Para
se ter uma idéia, enquanto a Coréia do Sul registrou mais de 13 mil patentes
nos Estado Unidos em 2011, o Brasil registrou um pouco mais de 200 e a
Argentina cerca de 50 patentes.
Esta classificação é baseada no número
de novas patentes realizadas por país mas também nos investimentos na ciência,
tecnologia e desenvolvimento. Estes países estão avançando de maneira rápida,
principalmente os países Asiáticos.
Na América Latina o país que possui
destaque na área de inovação é o Chile seguido de longe pelo Brasil, Costa
Rica, Colômbia, Uruguai, Argentina e outros países. Nesta classificação anual
do “ranking” global de inovação, o Brasil caiu nove lugares se comparado com a
classificação do ano passado.
Em um quadro global que se classifica os
países entre os mais importantes para a inovação, o que estão aprendendo a
inovar, ou aqueles que inovam pouco, o Brasil ainda se enquadra no último
grupo, enquanto China, Índia e alguns outros poucos países estão “aprendendo” a
fazer inovação.
Apesar do Brasil se destacar entre as 12
maiores economias do mundo, o baixo teor de inovação normalmente se deve ao
ambiente político, regulatório e empresarial, bem como a qualidade da educação,
principalmente em ciência e tecnologia. Estamos começando a reconhecer a
importância da inovação em todas as áreas para enfrentar o mundo comercial.
O Brasil, apesar da crise econômica
mundial, vem reconhecendo e aumentando os recursos nestas áreas e isto é
fundamental para o desenvolvimento tecnológico moderno. Nos próximos anos
teremos maior destaque nos processos inovativos nas indústrias de todas as
áreas.
(texto inédito publicado em 25 de Abril de 2013)
Ciência e desenvolvimento: passo para o futuro
A crise econômica mundial emite sinais negativos a população levando-a a desesperança, descrédito e ao receio do futuro. Mas temos que ser otimistas e acreditar nos dias que virão. Devemos pensar que graças ao vigor científico e tecnológico de nosso país, podemos pensar e resolver as dificuldades juntos e acreditar que o processo de desenvolvimento está de acordo com a política nacional e se relacionando com a mundial.
O Brasil está se tornando uma referência de política, cultura e criatividade com o estabelecimento de uma democracia moderna e desenvolvimento de um modelo social que coloca a dignidade humana como ponto de referência. Além disto, temos um processo ativo de integração com a América Latina que é inquestionável e garante paz e prosperidade para a região.
Não podemos confundir que o crescimento econômico que estamos vivendo seja negativo para o bem estar da população mundial e elemento positivo para o crescimento. O nosso país está avançando, às vezes até pressionado pela crise, com realismo e decisões, e buscando com tranquilidade as soluções dos problemas. As mudanças têm que vir com o enfrentamento das necessidades para enfrentar as crises e nosso país tem importância crucial para o mundo.
Temos que aumentar, cada vez mais, nossa capacidade de educar, fazer ciência e inovar nas empresas e institutos. Devemos permanentemente estar apoiando a ciência, tecnologia e desenvolvimento, pois são de importância estratégica para o desenvolvimento do País.
A qualidade da educação, pesquisa e inovação constitui o principal fator para o crescimento a curto e médio prazo. O conhecimento e as novas ideias e hipóteses são importantes para o nosso futuro. Manter estas vantagens é dever dos pesquisadores, professores e instituições, pois elas concretizam a economia real de nosso crescimento econômico e industrial.
Não podemos diminuir os orçamentos e gastos nestas áreas, pois são investimentos básicos para continuar o desenvolvimento científico e tecnológico. Devemos aumentar a cooperação entre Universidades, Institutos de Pesquisas e Indústrias, garantir uma comunicação mais eficiente entre os cientistas e favorecer de forma mais efetiva o acesso a dados e outras estruturas de pesquisa existentes.
Atingir o inalcançável é o que queremos. O futuro é o nosso objetivo e prioridade.
Publicado no Jornal da Ciência em 28 de Setembro de 2012
Apresentação
Caros Leitores,
Esse blog foi criado para dar divulgação aos textos do Dr. Eloi Garcia, do Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos, do Instituto Oswaldo Cruz. O Dr. Garcia é responsável por uma contribuição ímpar no campo da Fisiologia, Endocrinologia e Imunologia de Insetos e, além disso, por mais de 20 anos ele vem publicando artigos de divulgação científica nos principais jornais do Brasil. O objetivo desse site é recuperar inicialmente alguns desses textos de divulgação. Boa leitura!
Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos - IOC/FIOCRUZ
Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos - IOC/FIOCRUZ
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